Artrite e artrose na terceira idade: entenda as diferenças entre essas duas doenças

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A artrite e a artrose estão entre as doenças que mais reduzem a qualidade de vida do idoso.

Apesar de poderem se manifestar também em crianças, adolescentes e adultos jovens, é na terceira idade que a artrite e a artrose são mais frequentes. Ambas fazem parte de um grupo de doenças reumáticas que causam inflamações ou degenerações das articulações do corpo, causando dores, inchaços, rigidez dos membros e perdas de movimentos.

Apesar de bem parecidas, existem diferenças entre a artrite e a artrose no idoso ou em pessoas de outras faixas etárias.

Veja a seguir as principais diferenças entre artrite e artrose na terceira idade:

Artrite:

A artrite é uma inflamação que atinge as articulações do corpo e sua origem pode ter várias causas, como trauma sofrido por acidentes, desgaste natural das articulações provocado pelo excesso de peso, por infecções bacterianas e até mesmo por predisposição genética. Vários são os tipos de artrite, sendo algumas variações da doença mais comuns em idosos:

· Artrite Gotosa: A gota é uma doença metabólica caracterizada pelo excesso de ácido úrico no sangue. Também conhecida como artrite gotosa aguda, a artrite gotosa é mais comum em homens, mas também pode acometer mulheres após a menopausa. A artrite gotosa causa inflamação e dores nas articulações.

· Artrite Reumatoide: Trata-se de uma doença autoimune, provocada pelo próprio sistema imunológico do idoso na tentativa de proteger o corpo de microrganismos externos. O problema é que como na doença autoimune o processo de defesa fica desorientado, os anticorpos que deveriam destruir os invasores atacam as células, tecidos e órgãos do próprio organismo da pessoa. Na artrite reumatoide, a doença ataca o tecido conjuntivo do idoso, que é composto por pele, músculo e articulações.

As doenças autoimunes são mais comuns em mulheres e seus sintomas causam inchaço das articulações, dores, vermelhidão e aumento de temperatura local, deixando as articulações quentes.

· Artrite Psoriática: A psoríase é uma doença crônica e inflamatória que atinge a pele, causando placas avermelhadas e descamações, sendo mais frequentes o aparecimento desses sintomas no couro cabeludo, cotovelos e joelhos. A causa da psoríase ainda é desconhecida e acredita-se tratar-se de uma das mais de cem doenças autoimunes ou que tenham como fator de origem a predisposição genética. A psoríase pode surgir em homens ou mulheres antes dos 30 anos ou depois dos 50. Em pessoas idosas a doença, que é conhecida como Artrite Psoriática, provoca inflamação nas articulações.

Artrose:

A artrose é uma doença reumática amplamente associada à idade avançada das pessoas. Também conhecida como Artrite Degenerativa, Osteoartrite ou Osteoartrose, a artrose está ligada ao processo de desgaste natural das cartilagens que cobrem e protegem os ossos, causando atrito entre os ossos durante os movimentos.

Com as cartilagens desgastadas, o atrito entre os ossos provoca intensa dor e inflamação das articulações do corpo, causando inchaço, rigidez dos membros e perda de movimentos.

Um dos maiores fatores para o surgimento da Artrose no idoso diz respeito ao processo natural de envelhecimento e desgaste natural da máquina (corpo humano). No entanto, outras causas também podem contribuir para o aparecimento da Artrose na pessoa idosa, como sedentarismo, obesidade, diabetes e genética.

Outros fatores podem contribuir para o surgimento da Artrose no idoso, entre eles:

· Trabalhos com movimentos repetitivos como os realizados por cabeleireiros, digitadores e vários outros, pois tais movimentos sobrecarregam algumas articulações.

· Alguns esportes com movimentos repetitivos e de torção, como futebol, tênis, beisebol e outros. Enquanto no futebol as articulações dos joelhos e tornozelos são as que mais sofrem, no tênis e no beisebol as articulações dos quadris são as que recebem maior sobrecarga.

· Atividades laborais que exigem constantes movimentos de agachamento, ajoelhar-se de forma repetida e levantar/carregar objetos pesados, como o trabalho realizado pelos estivadores, por exemplo.

· Há ainda a artrose causada por lesões articulares causadas por pancadas, quedas, fraturas ou torções, acidentes comuns na terceira idade.

Como saber se um idoso está com artrite ou artrose?

Apesar de diagnósticos precisos serem oferecidos apenas por médicos especializados, o olhar atento de familiares mais próximos ao idoso pode ser o pontapé inicial para a confirmação do quadro clínico de artrite ou artrose.

Ao observar que um idoso está reclamando ou apresentando dores nas articulações, rigidez e dificuldades de realizar movimentos, articulações quentes, inchadas, com vermelhidão ou já apresentando deformações, um ortopedista ou reumatologista deverá ser consultado.

Quais são os exames necessários para diagnosticar a artrite ou artrose na terceira idade?

Além dos sintomas clínicos da doença como inflamação e deformidade nas articulações, o médico ortopedista poderá solicitar exames de raio-x, tomografia computadorizada ou ressonância magnética para comprovar o diagnóstico de artrite ou artrose no idoso.

Para saber qual tipo de artrite a pessoa idosa possui, o médico reumatologista pode ainda solicitar alguns exames laboratoriais complementares, como fator reumatoide para saber se é artrite reumatoide, anticorpos antipeptídios cíclicos citrulinados (anti-CCP), velocidade de hemossedimentação para avaliar a intensidade das inflamações no corpo, proteína C reativa e hemograma completo.

A artrose é diagnosticada somente através de exames de imagens, pois a doença não altera o resultado de exames de sangue.

Como melhorar a qualidade de vida de um idoso com artrite ou artrose?

A artrite e a artrose são doenças crônicas e como tais, não possuem cura. No entanto, existem vários tratamentos que controlam a inflamação, a dor e retardam sintomas como deformações nas articulações.

Os tratamentos mais usados em quadros clínicos de artrite e artrose em idosos consistem em uma combinação de medicamentos à base de analgésicos, anti-inflamatórios e sessões de fisioterapias.

Com o tratamento fisioterapêutico realizado cerca de três vezes por semana, a inflamação das articulações tende a diminuir, facilitando que o idoso realize os movimentos.

O acompanhamento com nutricionistas também é essencial para que o idoso mantenha uma dieta balanceada e rica em alimentos anti-inflamatórios.

A prática de exercícios físicos que estimulem o fortalecimento muscular como hidroginástica, natação e pilates também são benéficas aos idosos, desde que recomendadas por um profissional da saúde e sejam adequadas ao estágio da artrite ou artrose do indivíduo.

Cirurgia para artrite e artrose, vale a pena?

As cirurgias são procedimentos invasivos e passíveis de sequelas, por isso apenas são indicados para casos graves de artrite ou artrose em idosos, quando a combinação de tratamentos por medicamentos e fisioterapia não ofereceram os resultados esperados.

As cirurgias para artrite ou artrose têm por objetivo amenizar a dor e a limitação física do idoso, reparando ou substituindo as articulações deformadas por outras artificiais.

Vários são os tipos de cirurgia existentes para reparar ou substituir as articulações danificadas pela artrite reumatoide; em algumas é realizada a substituição total da articulação desgastada por uma prótese; em outras é feita apenas a remoção do tecido da articulação desgastada, evitando que o ligamento corroa cartilagem e osso.

Uma outra técnica une dois ou mais ossos, desprezando a articulação danificada. Esse procedimento cirúrgico hoje em dia é pouco utilizado pela medicina, já que o idoso perde a capacidade de movimento dos membros que sofreram a cirurgia, mais conhecida como artrodese.

Mesmo com todos os tratamentos disponíveis para a melhoria da qualidade de vida da pessoa idosa com artrite ou artrose nada será capaz de substituir a dedicação e paciência dos seus familiares, já que a limitação física do idoso vai continuar existindo.

Portanto, existirá sempre uma permanente necessidade de alguém que assista os mais velhos cuidadosamente, de forma a promover o seu bem-estar, independência e interação social.

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