A Labirintite e a tontura no idoso

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A labirintite, uma das doenças mais comuns na terceira idade, é uma das maiores causadoras de quedas em idosos.

A labirintite é uma doença que compromete o labirinto, estrutura do ouvido interno constituída pela cóclea e pelo vestíbulo (responsáveis pela audição e equilíbrio, respectivamente).

A labirintite é considerada uma doença de média a terceira idade, pois geralmente se manifesta em indivíduos com mais de 50 anos e compromete a qualidade de vida dessas pessoas, pois causa grandes transtornos físicos e emocionais.

Quais são os sintomas da labirintite em idosos?

Uma das maiores queixas entre pessoas com idade igual ou superior a 65 anos são as tonturas, que podem variar de leves a severas. O desequilíbrio e a instabilidade causados pela labirintite são responsáveis por 70% dos casos de quedas em idosos.

Apesar das vertigens serem os sintomas mais comuns da doença, em uma crise de labirintite também podem ser observados outros sintomas, como enjoos, náuseas, zumbidos no ouvido, sudorese e perda de audição.

Uma crise de labirintite pode durar de minutos a alguns dias, conforme a intensidade. Idosos que possuem o estágio agudo da doença costumam a se isolar, pois se sentem inseguros de saírem sozinhos.

O que causa a labirintite na terceira idade?

Vários são os fatores que podem desencadear a labirintite em idosos, sendo os mais comuns as otites (infecções no ouvido) e o uso de alguns medicamentos, como antibióticos e anti-inflamatórios.

As alterações metabólicas como colesterol, triglicerídeos, hipoglicemia, diabetes, ácido úrico e alterações genéticas também são apontadas como estopins para as crises de labirintite, assim como os processos infecciosos e tumorais no nervo auditivo.

Apesar de representarem um percentual menor, maus hábitos como o consumo de bebidas alcoólicas e cigarros também podem desencadear a doença. Os níveis de ansiedade e estresse do idoso também são fatores influenciadores das crises de labirintite.

Como é feito o diagnóstico de labirintite?

Após a manifestação de alguns sintomas da labirintite, um otorrinolaringologista deverá ser consultado.

Esse especialista irá solicitar um exame otoneurológico completo para diagnosticar a labirintite, já que algumas doenças podem provocar sintomas parecidos. Trata-se de um conjunto de exames que avaliam se existe ou não alguma alteração no vestíbulo e caso exista, identificar a gravidade e o lado da lesão.

No exame otoneurológico há ainda a verificação do sistema auditivo do mais velho, que inclui testes audiológicos para avaliar a capacidade auditiva do paciente e testes de movimentos dos olhos, como seguir pontos luminosos.

Movimentos de rotação, estimulações térmicas no ouvido, movimentos de cabeça, do corpo e vários outros também fazem parte do exame e embora essa avaliação não ofereça nenhum risco aos idosos, causa um determinado desconforto em sua realização.

Esse desconforto se dá pelo fato de que na maioria dos casos o exame é realizado durante as crises de tontura, em que o labirinto já está com sua funcionalidade comprometida, o que pode agravar mais ainda os sintomas da labirintite. No demais, o exame otoneurológico completo é confiável e seguro, bastando apenas para a sua recuperação, repouso e o uso de algumas medicações leves.

O preparo para o exame costuma ser simples, sendo recomendado que 48 horas antes o idoso suspenda o uso de medicamentos para tonteiras. Além dessa recomendação, nas 24 horas que antecedem o exame, o mais velho também não deve consumir bebidas alcoólicas, fumar e ingerir bebidas como café, chocolates e refrigerantes.

Por ser um exame que pode agravar os sintomas da labirintite, o idoso não deve realizar o exame otoneurológico sozinho, deve ir acompanhado.

Medicamentos indispensáveis à saúde do idoso como remédios para diabetes, pressão alta, problemas cardíacos e vários outros não devem ser suspensos para a realização do exame.

Além do exame otoneurológico completo, a ressonância magnética e a tomografia computadorizada podem ser usadas para diagnosticar a labirintite na terceira idade.

Como tratar a labirintite nas pessoas mais velhas?

Geralmente a labirintite é uma doença tratada com o uso de remédios para combater os sintomas de tontura. Esses medicamentos são prescritos por um clínico geral ou otorrinolaringologista, de acordo com a intensidade das crises e o fator causador da doença. Os remédios mais usados para controlar as crises de labirintite são:

  • Sedativos para controlar a ansiedade;
  • Corticoides, que atuam como anti-inflamatórios, imunossupressores e reguladores do organismo;
  • Medicamentos para controlar náusea, vômitos e tontura, como o Dramin e o Meclin.
  • Medicamentos para enxaqueca.

Além dos medicamentos descritos acima, em pessoas idosas é recomendada a reabilitação do labirinto, uma terapia multidisciplinar que envolve sessões com fonoaudiólogo, fisioterapeuta, otorrinolaringologista e neurologista. Essa terapia visa a melhorar as funções do labirinto que coordenam o sistema de equilíbrio do paciente.

Como evitar a labirintite no idoso?

Apesar de poder se manifestar em qualquer idade, a labirintite é mais comum em pessoas com idade igual ou superior a 50 anos. Alguns hábitos saudáveis podem ser adotados para evitar as crises de labirintite, como por exemplo:

  • Praticar atividades físicas regularmente;
  • Evitar o consumo de bebidas alcoólicas;
  • Evitar o tabagismo na terceira idade;
  • Beber bastante água;
  • Evitar a ingestão de café em demasia;
  • Evitar alimentos industrializados, que contém alta concentração de corantes e conservantes;
  • Se alimentar em pequenos intervalos, de 3 em 3 horas;
  • Consultar regularmente um médico para manter sob controle os níveis de triglicérides, colesterol e glicemia;
  • Procurar ajuda profissional para administrar a ansiedade e o estresse.

Labirintite tem cura?

A duração dos sintomas da labirintite pode variar de paciente para paciente. Em alguns casos, a doença desaparece sozinha, em outros, somente à base de tratamento. Idosos tendem a ter sintomas recorrentes e por períodos mais prolongados.

Em pacientes com idade inferior a 60 anos observa-se a normalização da capacidade auditiva após a cura da doença. Em pacientes com idade mais avançada, a audição pode sofrer danos irreversíveis.

O que fazer durante uma crise de labirintite?

Um dos maiores agravantes das crises de labirintite são as tonturas, que podem oferecer aos idosos vários riscos, como quedas e acidentes de trânsito.

Se estiver caminhando sozinho e tiver uma crise de tontura, pare e procure se apoiar em algo. Levante a cabeça e fixe os olhos em um único ponto, que pode ser um objeto ou lugar. O equilíbrio da visão tende a diminuir os sintomas de tontura provocados pela labirintite. Mantenha a calma. Evite a direção.

Todas as informações transmitidas aqui não substituem a consulta médica com um profissional especializado. Somente o tratamento prescrito por um médico de confiança é capaz de reduzir os sintomas da labirintite. Nunca se automedique.

 

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