Idosos hipocondríacos: os problemas causados pela automedicação

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A hipocondria é uma doença ligada ao transtorno de ansiedade, que faz com que o indivíduo desenvolva um medo excessivo de ficar doente.

Pessoas que sofrem desse distúrbio psicológico supervalorizam sintomas simples e passam a marcar várias consultas médicas, realizar diversos exames e procurar por medicamentos que curem o problema. Às vezes, os sintomas sequer existem.

Mais conhecida como “mania de remédio”, a hipocondria é uma doença grave que acomete crianças, adolescentes, jovens adultos e idosos. Não há idade para a patologia, mas, em qualquer faixa etária ela tem tratamento.

No Brasil, dados revelam que mais de 10 milhões de pessoas sofrem com a hipocondria

Por que a hipocondria afeta mais os idosos?

Devido as mudanças no organismo decorrentes do processo de envelhecimento natural, os idosos ficam mais suscetíveis a alguns transtornos mentais, como depressão, fobia e hipocondria.

Outro fator que contribui para a hipocondria na terceira idade é a falta de atenção que os mais velhos recebem de amigos e familiares. Ao se sentirem pouco queridos, alguns idosos começam a querer chamar a atenção das pessoas mais próximas e acabam desenvolvendo sintomas sucessivos de doença.

A hipocondria nos mais velhos deve ser tratada logo nos primeiros sintomas, pois é uma doença que leva a automedicação e até a morte.

Como detectar um hipocondríaco?

Os sintomas da patologia geralmente são comportamentais, ou seja, é fácil perceber que um idoso está sofrendo de hipocondria. Entre os vários sintomas, listamos os principais:

  • Preocupação excessiva de ficar doente ou de morrer. Em idosos, essa preocupação geralmente está relacionada à possibilidade de perder a memória.
  • Supervalorizar sintomas físicos leves, acreditando tratar-se de doença grave.
  • Ser autossugestionado, ou seja, ficar sabendo de alguma doença e começar a sentir os seus sintomas.
  • Não acreditar na opinião médica sobre seu estado de saúde.
  • Não confiar em exames com resultados negativos.
  • Se consultar com médicos com frequência. Em alguns casos, o hipocondríaco pode optar por não realizar consultas médicas e praticar a automedicação.
  • Evitar sair de casa para não ter contato com pessoas e lugares capazes de transmitir doenças. Nesse caso, o idoso tende a se isolar socialmente e corre o risco de desenvolver depressão.
  • Procurar na internet ou em livros possíveis causas para os sintomas que julga estar sentindo.

Mesmo que os sintomas da hipocondria sejam aparentes, cabe ressaltar que o diagnóstico da doença deve ser feito por um profissional da área da saúde.

O que causa a hipocondria?

Várias causas podem ser associadas à patologia, como traumas, carência afetiva, rejeição social, perda de um ente querido. Outros fatores de risco também podem estar relacionados à doença:

  • Predisposição genética (histórico de familiares com hipocondria);
  • Superproteção dos pais durante a infância;
  • Personalidade hipocondríaca (constantemente preocupada com a saúde);
  • Histórico de abuso infantil;
  • Transtornos de ansiedade e transtornos obsessivos compulsivos (TOC).

Como diagnosticar a hipocondria?

O diagnóstico da hipocondria é baseado nos sintomas que o paciente diz estar sentindo. Não existe um exame específico para detectar a patologia.

O que se costuma levar em consideração é o período que o paciente apresenta o comportamento, geralmente em torno de seis meses.

Existem queixas comuns feitas por pacientes hipocondríacos que podem facilitar o diagnóstico. Geralmente os portadores da patologia reclamam de dores de cabeça, no pescoço e em alguns casos apresentam diarreia, coceira e até febre.

Como tratar a hipocondria?

O primeiro passo para tratar a hipocondria é reconhecer a doença. E nesse caso, não estamos falando de reconhecer a doença física, mas a mental.

Um hipocondríaco acha que tem inúmeras doenças, mas não considera que essa mania de doença seja uma doença e dificilmente procura ajuda médica.

Dessa forma, a pessoa pode sofrer uma vida inteira com a patologia e não receber o tratamento adequado.

Quais são os tratamentos indicados para tratar a hipocondria na terceira idade?

Os tratamentos indicados para tratar a hipocondria geralmente são os psicológicos e/ou psiquiátricos.

Em pacientes mais velhos, pode-se diminuir a ansiedade causada pela doença com medicamentos antidepressivos ou ansiolíticos. Entre os mais comuns estão:

  • Fluoxetina (Prozac);
  • Diazepam (Valium);
  • Sertralina (Zoloft);
  • Lorazepam (Lorax).

Quais são as consequências da hipocondria?

A hipocondria é um transtorno mental, portanto, seus portadores sofrem com algumas complicações, como por exemplo:

  • Dificuldades no trabalho;
  • Ansiedade excessiva, que pode levar a ataques de pânico;
  • Isolamento social, que contribui para o desenvolvimento da depressão;
  • Problemas financeiros, já que o hipocondríaco gasta parte da sua renda com consultas médicas, exames e remédios. Nos idosos, essa complicação é ainda mais agravante, porque a maioria dos mais velhos sobrevive com salário mínimo;
  • Efeitos colaterais frequentes também levam o hipocondríaco a se automedicar, colocando sua vida em risco;
  • Em alguns casos, o portador da hipocondria corre o risco de desenvolver uma doença e não ser tratado. Isso acontece quando o paciente, por não confiar nos diagnósticos médicos, não procura ajuda.

Somente o olhar atento de um familiar ou amigo próximo pode diagnosticar previamente a hipocondria em idosos.

Não negligenciar os sintomas que o mais velho diz estar sentindo é muito importante, mas também é de extrema necessidade que você o conscientize sobre não ter nada físico, e sim psicológico.

Nunca diga a um hipocondríaco: “você não tem nada”. A hipocondria é uma doença, precisa ser levada a sério e tem tratamento.

Se você apresenta um ou mais sintomas listados acima, procure ajuda médica. E não se esqueça, não se automedique, pois essa é uma prática extremamente prejudicial à saúde.

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